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Sobre aqueles vídeos das crianças acerca das mães

por Mi ♥, em 26.11.13

Tu sabes, aqueles vídeos que andam a circular com os miúdos a dizerem o que acham das mães...!

É engraçado porque apesar de ter sido mãe, consigo identificar-me melhor com os miúdos naquele vídeo.

Imagino-me sentada naquelas cadeiras pequeninas de madeira envelhecida, com duas tranças a enquadrar-me a cara, um buraco onde nasceria o dente da frente. A declarar o meu amor, a minha paixão, pela que era, então, a mulher mais importante da minha vida.

Hoje, volvidos tantos anos, as tranças já desfeitas, o dente ocupou o seu espaço, a cadeira já não é suficiente para me conter. Mas o amor, a paixão cega é a mesma.

Paixão com tanto sofrimento.

Muitos que conhecem a minha alma por detrás da carne, a minha história, dizem que a minha mãe - o objecto da minha paixão cega - estragou a minha vida. É verdade. Foi irresponsável, usou algo que era só meu, e prejudicou não só a minha vida, mas a nossa vida a dois, minha e do R., e muito provavelmente a nossa vida a três também. Não o fez propositadamente mas, quando finalmente eu quis pôr um termo ao ciclo vicioso, ainda me qualificou de egoísta e ingrata. Pôs-me este peso de uma vida dorida de 50 anos, nas costas duma carcaça de 26...

Não raras vezes oiço "não sei como a perdoas", "não sei como consegues ter uma relação normal com ela", "não sei como ainda a amas"... E eu também não sei. Não sei explicar, só sentir.

Só sei sentir uma dor enorme, não só por mim, de auto-comiseração, mas por ela. Por saber que ela sabe que estragou a vida à própria filha. Saber como me sentiria se eu tivesse que sentir o mesmo. Sentir a dor de a ver nestas condições e subir tão alto só para descer tão baixo...

Quando ouvimos na boca de terceiros como o futuro é negro, não me doem tanto as minhas lágrimas quanto dói vê-la chorar a ela, que me despedaça em mil bocadinhos. Sinto que a culpa dessas lágrimas dela é minha e que o meu papel é ser forte para ajudá-la a suportar... E que tenho que calar a minha dor para poder dar voz à dela.

Calar a minha dor inocente.

Por isso quando vejo esses vídeos de filhos que amam os pais, consigo identificar-me mais do que com ser amada. Por enquanto. Porque o meu objectivo? Esse é nunca repetir os mesmos erros da minha mãe.Mas eu sei que cometerei outros. Por isso, quero fazer com que a M. me ame tanto como eu amo a minha mãe. Mais, é o que quero.

E vou viver a minha vida com o único propósito de dar-lhe mais e melhores razões para isso.

publicado às 09:34

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