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Bipolaridade ao mais alto nível

por Mi ♥, em 18.11.13

Noiva biAtch e noivo fofinho, inocente vieram-nos perguntar se Miss M. poderia ser a menina das alianças.

 

Yep, aquela noiva biAtch que nem me olhou nos olhos quando me entregou o convite, que andou a espalhar aos sete ventos tudo o que lhe contei em segredo (estúpida, estúpida, estúpida Mi, que não sei estar calada!) e inventou o que não lhe contei.

 

E lá vieram os dois, muito fofinhos, muito queridinhos, dizer "Oh, nós queríamos muito que a M. fosse a nossa menina..."

 

Eu fiquei atónita. Fiquei mesmo. O R. nem olhava para mim e só foi capaz de balbuciar umas duas frases meias impercetíveis, qualquer coisa do tipo "ah... temos que ver... vestido... não sei... sim...".

 

Da minha boca saiu ainda coisa pior: "e vocês têm a certeza? É que a M. é um bocado selvagem"

Tipo... oi!?!? WTF!??! Selvagem!?!? Ah ah ahA miúda está a passar das fases mais fofinho-carinhosa-mel de sempre! Dá beijinhos a tudo e todos, dá abracinhos bons, porta-se relativamente bem para uma miúda de 2 anos, não faz grandes birras, não é um grande stress de educar e obedecer... E sai-me aquela posta de pescada assim, selvagem!?!

 

Acho que eu fui o meu próprio catalisador. Aquele rotular de "selvagem" a minha filha, tão doce, iniciou qualquer fogo de combustão que não fui capaz de conter. E explodi.

 

Perguntei-lhes se queriam que fosse meeeeesmo sincera e disse-lhes tudo o que pensava. Que eles não me queriam no casamento ou não me tinham convidado daquela maneira, que a noiva biAtch se acha superior a toda a gente, que foi contar a A e B e C tudo o que soube acerca de mim e mais além, que se tinha afastado desde que houve uma discussão com outra amiga do grupo do qual não me quis afastar e ainda rematou que estava melhor sem nós! Exorcizei todos os meus demónios. E no fim, senti-me livre. Muito livre.

E, se bem que sei, porque não sou assim tão estúpida, que ela negou quase tudo o que lhe disse, que afirmou que fui eu a afastar-me, que fui eu que não lhe respondia às mensagens no mesmo min e demorava umas horas (needy alert... jezz! uma pessoa tem que estar 24/7 colada ao tlm... sim, sim, logo eu que pergunto de 5 em 5min "onde está o telemóvel?"! ah ah) , e que as lágrimas que derramou foram de crocodilo, mas não fui capaz de não sentir compaixão.

 

E fui eu que fui ter com ela, e abracei aquele bloco de cimento que nem foi capaz de retribuir o abraço.

 

E sou eu que agora estou a pensar em convidá-los para isto e aquilo porque afinal o noivo é fofinho, fofinho, é nosso Amigo à brava e uma das pessoas que o R. mais gosta aqui. E eu não sou diva o suficiente para não a aguentar 1h que seja aquela cara de monco-de-peru, pelo bem da amizade entre os dois homens.

 

E, se à vista dos outros até posso parecer uma pessoa fraca, que se "humilhou" a alguém que sempre se mostra superior, no meu interior sinto-me bem leve. E forte.

 

Esta é capaz de ser uma das minhas maiores qualidades, a meu ver e defeito, a ver dos outros. Esta incapacidade de guardar rancor, de remoer nos assuntos, de ser fria e orgulhosa. Às vezes até gostaria de ser mais orgulhosa. Para ser mais "forte". Mas o que ganham, afinal, as pessoas mais "fortes", com o seu orgulho?

 

Eu já sei o que tenho que fazer para lidar com ela. Eu já sei que tipo de "amizade" posso ter com ela. De que me vale esta frieza entre nós, cada vez que temos que estar juntas? De que me vale o orgulho, que não me permitia sentir-me assim leve, de consciência tranquila, sabendo que EU fiz aquilo que EU achei bem? E que EU estou, efectivamente, bem.

 

Porque eu não preciso dela. Nem para me sentir bem, nem como alvo a abater. Eu não lhe dou a importância de me afectar, para o bem ou para o mal. Como ela estava a ter. E como tem nalgumas das minhas amigas, que não conseguem ultrapassar isto.

 

Mas afinal, se não formos capazes de perdoar os outros, perdoaremos a nós próprios? Se não libertarmos esses sentimentos maus, onde é que eles se alojam? Na outra pessoa? Não. Alojam-se em nós, no nosso coração.

 

Por isso, resolver as diferenças, deixar o orgulho de lado, "rebaixar-nos" e darmos o primeiro passo, ajuda a quem? A eles, o objecto do nosso ódio?


Não. Ajuda a nós, que estamos a alojar, alimentar e vestir esse ódio, inteiramente às nossas custas. 

publicado às 11:15

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